#AmoMeuCabelo: “O cabelo mudou tudo na minha vida”, conta Roberta, deficiente física que se tornou cabeleireira

A profissional do Rio de Janeiro, que começou assistindo vídeos na internet, descobriu no próprio cabelo o amor pela profissão.

Imagine descobrir a sua profissão escovando o próprio cabelo? Foi assim que Roberta Cristina Barros dos Santos, 41 anos, do Rio de Janeiro, se tornou cabeleireira. A profissional, que nasceu com deficiência física, sem o antebraço direito e cega de um dos olhos, viralizou nas redes sociais quando uma cliente e amiga postou um vídeo dela escovando seu cabelo, mostrando que a condição física da carioca não a impedia de exercer o ofício que ama. Casada há 20 anos e mãe de 3 filhos, desde 2016 ela atende os clientes na sua casa e entre vídeos da internet e workshops para se especializar cada vez mais, a meta é sempre expandir e o próximo passo vai ser cortar cabelos. Conheça a história.

“Eu nasci assim e quando era pequena não sabia o motivo. Minha mãe só me contou quando eu fiquei mais velha. Não gostava muito de sair de casa e se fosse para sair ia emburrada, ficava com a cara fechada até em festinha de aniversário e não gostava que colocassem a mão em mim. Eu mesma me colocava para baixo. Escondia muito meu braço com o cabelo. Mas eram as pessoas que me falavam isso, porque era uma coisa que eu fazia sem perceber.

Passando o tempo, quando eu já era adolescente, uma vizinha começou a me chamar para sair, mas eu nunca queria, apesar de todo mundo me incentivar. Um dia resolvi aceitar o convite. Essa vizinha me levou para um baile funk e aí comecei a sair mais. Isso abriu o mundo para mim e eu fui ficando menos invocada.

A descoberta da profissão no próprio cabelo

Sempre gostei de ter o meu dinheiro e trabalhei por 11 anos como auxiliar de escritório em uma empresa que era do lado da minha casa. Tive meu primeiro filho e continuei trabalhando. Levava ele para o escritório para ficar comigo. Mas quando engravidei de novo, saí do emprego, porque o dinheiro que eu ganhava não dava para pagar a creche. Então, preferi ficar em casa.

Comecei a fazer o meu cabelo sozinha, porque ele sempre foi cacheado, longo e volumoso, mas eu gostava dele liso. Então fui treinando em casa. Assistia a vídeos na internet para aprender porque não tinha dinheiro para pagar cursos e fazia progressiva sozinha. No início, usava uma escova rotativa, que seca e escova o cabelo ao mesmo tempo, porque achava que não ia conseguir fazer com a escova e o secador. Comecei a fazer o cabelo da minha mãe, familiares e das minhas amigas de graça. Até que a pastora da igreja que eu frequento me perguntou quanto eu cobrava. Quando eu respondi que nada, ela disse: você precisa cobrar!

Isso foi em 2016. Comecei em casa mesmo, lavava o cabelo das clientes com balde, com água de chuveiro… cobrava R$ 40 para fazer progressiva e as pessoas não davam muita credibilidade pelo fato de o preço ser barato, mas quando topavam fazer, gostavam muito! Ganhava muita cliente na rua com o meu próprio cabelo também. As pessoas perguntavam se era mega hair, porque era bem comprido. Uma menina até puxou o meu cabelo um dia para ver se era de verdade.

Então fui me aperfeiçoando. Passei para a escova e secador porque uma cliente disse que achava que o resultado era melhor. Comprei tudo o que precisava e treinava no cabelo da minha sobrinha, assistindo a vídeos no YouTube, para achar a maneira mais fácil para eu manusear as ferramentas. Quando peguei prática, falei: a partir de hoje, não uso mais escova rotativa.

Viralizou nas redes sociais

Foi uma das minhas clientes, que agora é minha amiga, que me colocou nas redes sociais. Ela perguntou um dia se podia me filmar. Eu não queria, mas ela insistiu e eu deixei. Ela me filmou na mesma hora, eu nem percebi. Achei que fosse ser outro dia, que eu ia poder me arrumar. Então já me colocou na página dela e quando eu vi o post já tinha 28 mil visualizações.

Então começaram a me procurar, apareci na TV, dei entrevista, até o Romário (atual senador e ex-jogador de futebol) compartilhou! Assim as pessoas começaram a me dar material de trabalho: ganhei lavatório, uma prima minha me deu o camarim, e, conforme fui ganhando mais dinheiro, também comprei o que precisava. E mais clientes começaram a aparecer.

Também fiz uma vaquinha virtual para quem quisesse ajudar e, com esse dinheiro, estou reformando a minha garagem para ter o espaço do meu salão. Agora, graças a Deus, tenho meu cantinho com ar-condicionado.

E o futuro?

Estou abrindo meu espaço aqui, reformado, e agora vou chamar uma manicure para vir trabalhar comigo. Mais para o futuro quero um lugar maior, para ter uma recepcionista e vou fazer de tudo para expandir e dar oportunidade de outras pessoas trabalharem.

Quando voltar o curso que eu queria fazer, que parou por conta da pandemia, vou aprender a fazer corte. E futuramente, além de ter o meu salão, também quero dar aula, ensinar os outros. O cabelo mudou tudo na minha vida! Eu trabalho com mais prazer, com mais gosto. É trabalhar em um lugar e se sentir bem com o que você está fazendo. Vou aprendendo com o cliente e o cliente, comigo. Estou fazendo o que eu gosto, o que é meu caminho. Eu nem imaginava que eu ia chegar aonde eu estou chegando”.

Para quem quiser conhecer o trabalho da Roberta ou fazer doações, é só entrar em contato pelo Instagram @robertaespacohair.

Sugestão de produtos

A Roberta é especialista em progressiva e se você tem cabelos alisados quimicamente, sabe que é muito importante cuidar bem deles e com produtos de qualidade.

A gente indica a a linha Nexxus Keraphix, que tem shampoo, condicionador e máscara de tratamento que juntos ajudam a repor a queratina perdida pelo fio e a recuperar a saúde do cabelo.

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