Quando a relação entre comprimento de cabelo e feminilidade surgiu?

All Things Hair | 03 agosto 2016

Cabelo e feminilidade são associados há muito tempo. Você sabe desde quando? Mais importante: você sabe as razões?

Comprimento de cabelo e feminilidade são conceitos associados há muito tempo, como se o cabelo fosse a representação visível do que está “dentro” da nossa cabeça. Ou seja, dos nossos pensamentos, e que, por isso, pode representar vários tipos de ideias sobre nós mesmos e relações de poder da cultura onde vivemos.

Comprimento de cabelo e feminilidade: sensualidade e poder

A relação entre poder e cabelo é arquetípica. Ou seja, faz parte do conjunto de imagens psíquicas presentes no inconsciente coletivo e que forma a parte mais profunda do inconsciente humano. Um bom exemplo de quão antigo é o arquétipo que relaciona os cabelos à ideia de poder é a história de Sansão, que perdeu a força quando teve os cabelos cortados.

“Cortar os cabelos representa um sacrifício que é pedido a monges de várias ordens religiosas como budistas, católicas, por exemplo.”, afirma Beatriz Del Picchia, pesquisadora e coautora dos livros “O feminino e o sagrado – mulheres na jornada do herói” e “Mulheres na jornada do herói – pequeno guia de viagem”.

No caso das mulheres, ela explica, “esse poder é um poder sensual: cabelos são considerados armas de sedução feminina e sinal de desejo e disposição de entrega.” Por isso, em muitas culturas, esconder os cabelos é considerado uma escolha da mulher comprometida ou recatada de não “tentar” os homens. Da mesma forma, soltar e expor os cabelos longos simboliza o poder de atração feminino e é associado ao desejo sexual, tanto na cultura ocidental, quanto na oriental.

Comprimento de cabelo e feminilidade: empoderamento feminino

Assim, cortar o cabelo simbolizaria “uma ruptura da obrigação de mulheres precisarem usar armas para seduzir os homens”, Del Picchia explica. O que vai contra o imaginário coletivo que acreditava que as mulheres precisavam seduzir os homens para assegurar a sua sobrevivência ou, no mínimo, a conquista ou a manutenção do seu status social.

A relação das mulheres com as diversas formas de poder tem mudado nos últimos anos e, ao menos no Ocidente moderno, elas têm, como o termo já diz, se empoderado para expressar sua feminilidade e opiniões mais livremente. Ainda existem várias armas de sedução, mas os cabelos já não precisam necessariamente ser uma delas. Assim, ganham um caráter de “meio de expressão pessoal estético, divertido e prazeroso”, analisa a pesquisadora. 

Feminilidade além do fio do cabelo

Em outras palavras, a feminilidade finalmente passou a ser reconhecida como uma condição que vai muito além do comprimento de cabelo. Não é o cabelo longo que define a mulher como feminina, porque a feminilidade vem da mulher e não do seu cabelo.

Essa mudança começou na década de 20, quando o cabelo curto passou a ser associado à autonomia feminina: justamente por representar uma ruptura à obrigação feminina de seduzir. Coco Chanel é lembrada como a primeira personalidade feminina contemporânea a cortar os cabelos curtos, em 1920.

“De cabeça raspada ou de cabelos curtinhos, compridos, crespos, enrolados, lisos, loiros, castanhos, pretos ou verdes, a autonomia sobre nosso desejo nos dá autonomia sobre nosso corpo. Ou ao menos deveria dar”, conclui a pesquisadora.

Tendências

Se este post tivesse um slogan, ele seria: seja quem quiser ser, com o comprimento de cabelo que tiver vontade. A moda, ainda bem, segue os caminhos do conceito de empoderamento feminino. Assim, tendências de cabelos curtíssimos como os cortes boyish, undershave, pixie e joãozinho andam lado a lado, e em harmonia, com a moda dos cortes retos e superlongos.

 

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