Eduardo Muller: “O homem de hoje, principalmente negro, tem aderido à naturalidade do cabelo”

Amanda Miquelino
foto para ilustrar a matéria com o barbeiro Eduardo Muller

Conheça Eduardo Muller, o barbeiro dos jogadores de futebol e especialista em cabelos crespos masculinos.

Há 17 anos o barbeiro Eduardo Muller vive profissionalmente do que mais gosta de fazer. A paixão pela barbearia e a arte de fazer barba e cortar cabelo levaram o rapaz a conquistar um público fiel em suas barbearias, entre eles clientes famosos, como jogadores de futebol de times nacionais e internacionais.

O “realizador de sonhos”, como ele mesmo se denomina, está sempre fazendo cursos para se aprimorar ainda mais no que sabe fazer. Por conta do seu profissionalismo e trabalho, Muller foi um dos palestrantes da feira Barber Week, um evento do segmento Barber da América Latina, que aconteceu no mês de junho em São Paulo. Nós de All Things Hair entrevistamos o barbeiro e assistimos à sua palestra, onde ele passou seus conhecimentos de corte e texturização no cabelo crespo masculino. Veja o bate papo.

ATH entrevista Eduardo Muller

All Things Hair: Como foi o começo da sua carreira?

Eduardo Muller: Eu trabalho há 17 anos no mercado de beleza e me denomino barbeiro porque as pessoas costumam segmentar cabeleireiros como só especializados no público masculino ou feminino. Já os barbeiros são aqueles que possuem a expertise mais voltada para o público masculino. Ao longo desses anos, venho aprendendo algumas técnicas e trazendo tendências do exterior.

Eu comecei cortando o cabelo dos meus irmãos em casa, porque meus pais não tinham dinheiro para irmos ao salão ou barbearia. Meu irmão mais velho comprou uma máquina e ele cortava nossos cabelos. Eu o admirava muito fazendo isso! Até que um dia ia ter uma festa e meu irmão mais velho não pode cortar meu cabelo e dos meus irmãos. E, como eu o observava, tinha uma noção de como fazer. Então, cortei os cabelos deles e todos gostaram! Fomos para a festa e nossos amigos e vizinhos começaram a perguntar quem tinha feito os cortes. E eles disseram que tinha sido eu. No dia seguinte, cortei o cabelo de um ou outro vizinho e as coisas começaram a acontecer.

Eu sempre fui uma criança que achei que não tinha dom, mas quando vi que gerei um sorriso com algo que eu fiz, falei: “vou segurar isso aqui e não vou soltar mais”. A partir disso, comecei a me aperfeiçoar.

Sou um cara muito feliz e um realizador de sonhos, porque meus exemplos da barbearia se tornaram amigos, tanto no Brasil, quanto fora. Posso ligar e falar com eles sobre todas as dúvidas e curiosidades que venha a ter.

foto para ilustrar a matéria com o barbeiro Eduardo Muller
Eduardo Muller na palestra sobre texturização no cabelo crespo durante a feira Barber Week.

ATH: Quais tendências você está buscando para homens com cabelo crespo?

Eduardo Muller: A barbearia de hoje não é a mesma barbearia de 10 anos atrás. Mudaram as técnicas, mudaram as máquinas, mudaram as tendências, o jeito de divulgar e muitas coisas. O homem de hoje, principalmente negro, tem aderido à naturalidade do cabelo dele. Dificilmente, hoje em dia, você vê um homem negro indo para um salão ou barbearia para alisar o cabelo ou fazer uma progressiva.

Hoje vou apresentar na palestra uma técnica chamada nudred, como se fosse uma texturização semelhante aos dreads. Só que não é dread feito com agulha e, sim, um fake de dread. É possível fazer em casa mesmo e, assim que se lava o cabelo, a texturização sai. Geralmente os clientes saem da barbearia e reclamam que nunca conseguem deixar o cabelo do mesmo jeito, mas essa texturização é tão simples e fácil que vão conseguir replicar em casa. É possível fazer os dreads com uma esponja específica. A tendência de o negro assumir suas origens está tomando conta não só do Brasil, mas do mundo.

Ser barbeiro é uma profissão abençoada.

ATH: De onde você trouxe a tendência nudred?

Eduardo Muller: Basicamente, a barbearia aqui no Brasil possui uma influência muito forte da barbearia norte-americana e isso veio de lá. Com a globalização e as redes sociais ficou mais fácil a gente saber o que foi feito só olhando uma foto. Então, essa texturização se tornou tendência há uns três ou quatro anos, mas eu já faço isso no meu cabelo há quase 15 anos.

ATH: Você sabe por que o segmento da barbearia está tão em alta nos últimos anos?

Eduardo Muller: Eu não sei explicar o porquê, mas o barbeiro consegue explicar de uma forma tão clara o que ama e o que ele faz, e isso é raro encontrar em outras profissões. É uma profissão abençoada. Por isso, é importante investir na nossa carreira: não existe outro caminho para a gente ser respeitado pelo cliente.

ATH: Quais cortes você sugere para cabelos crespos masculinos?

Eduardo Muller: O universo do fade, que é a gradação dos fios, pode ser aplicada nos cabelos crespos. Pode ser feito o low fade, que é um disfarce mais baixo, e com o nudred, pode-se subir com a máquina um pouco mais e fazer a gradação, que está muito na moda.

ATH: Quais dicas você pode dar na hora de lavar o cabelo crespo?

Eduardo Muller: Eu costumo falar para meu cliente, principalmente se ele usa o penteado nudred, para lavar o cabelo pelo menos uma vez a cada cinco dias com shampoo e condicionador. Isso porque o penteado vai “acordar” um pouco desmanchado, mas se ele fizer novamente, o resultado ficará melhor do que no dia da lavagem dos fios. Mas lembrando que, antes de fazer o nudred, é bom sempre secar totalmente o cabelo.

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