Salões fecham as portas e cabeleireiros passam a atender em casa

Sem faturamento na pandemia, cabeleireiros e barbeiros buscam se reinventar com sistema ‘delivery’ de beleza e adaptaram serviços para atender clientes em domicílio. Cerca de 375 mil salões fecharam, segundo levantamento

O impacto econômico da pandemia atingiu em cheio o setor da beleza. Com as restrições necessárias neste mais de um ano de enfrentamento à covid-19, não foram poucos os profissionais do ramo que perderam o emprego e os salões que fecharam as portas definitivamente.

A saída que alguns profissionais da área encontraram foi oferecer seus serviços na casa dos clientes – mesmo que isso signifique ter gastos com combustível e tempo extra fazendo o deslocamento entre um serviço e outro.

Segundo levantamento divulgado em abril pela Associação Brasileira de Salões de Beleza (ABSB), mais de 375 mil salões de beleza foram à falência desde o começo da pandemia.

A reportagem de Tudo Pra Cabelo conversou com o barbeiro Pedro Caffé e o cabeleireiro Ramon Sousa, que buscaram se reinventar com atendimento delivery na capital paulista. Abaixo, eles contam suas histórias, como foi a adaptação para essa nova modalidade e o impacto que isso teve no faturamento de cada um.

Foto do barbeiro Pedro Caffé. Ele está em pé, em frente ao espelho, usando máscara e luvas
Foto: Pedro Caffé/Arquivo pessoal

Pedro Caffé: “Tentei isso porque era a única chance que eu tinha”

“Eu tive uma barbearia em Santo André, mas eu vendi. Depois, fui trabalhar com um amigo meu, em uma barbearia em São Paulo, na Vila Olímpia. Comecei com ele e logo veio a pandemia, na sequência. Foi quando eu optei pelo delivery.

Veio a ordem para fechar as barbearias e aí, como você tem conta pra pagar, não pode ficar parado. Então, pensei nessa forma de atender [em casa]. Comecei com alguns clientes meus, e montei o site (https://barbeirodelivery.com.br) com a ajuda do meu irmão. Minha namorada ajudou a fazer a divulgação no Google Ads.

Tentei isso porque era a única chance que eu tinha de atender e pagar as contas.

Agora se engana quem acha que vai trabalhar por conta e no horário que quer. Você tem que trabalhar sempre nos horários dos clientes. Então, às vezes eu começo às 8h da manhã e vou até 22h. É puxado também, não é fácil. Faço uma média de 5 ou 6 atendimentos por dia, mas tem dia que faço mais, até 10 atendimentos, num dia bem corrido.

Adaptações

Logo no começo do delivery eu tinha um carro. Naquela época as ruas estavam bem vazias, então eu conseguia ir fazendo todos os atendimentos com o carro, mesmo com um gasto maior de gasolina e de ter onde parar. Isso dificultava um pouco. Agora eu comprei uma moto e agora ficou bem melhor. Consigo parar em praticamente qualquer lugar e o custo com combustível é bem menor.

Comprei uma capa que não deixa o cabelo cair no chão. Você encaixa na cabeça da pessoa e fica como se fosse um guarda-chuva ao contrário. Então, quando você corta, o cabelo já cai ali. Os clientes foram gostando por causa disso também.

Num primeiro momento, eles achavam que ia ter sujeira, que seria aquela bagunça ou uma coisa improvisada.

Eu tenho um cinto em que eu coloco os equipamentos, aí fica tudo já com fácil acesso pra mim e eu não preciso ficar apoiando nada na casa dos outros. No começo eu sentia que ficava muito perdido, procurando as coisas, mas já me adaptei e criei uma rotina bem prática.

Eu chego, já coloco a capa, coloco o meu cinto que já tem todos os meus materiais pendurados certinho e faço o atendimento. É coisa rápida. Também levo uma toalhinha higienizada para quando vai fazer barba. Aí é só esquentar no micro-ondas da pessoa e fazer uma toalha quente, para não perder tanto aquele ritual da barbearia. Também vendo produtos, como balm para a barba, pomada, creme para o cabelo.

Alguns condomínios hoje em dia têm um espaço comum com estrutura de salão de beleza. O morador chama o cabeleireiro ou barbeiro e tem um espaço melhor pra isso, com cadeira e lavatório. Mas, geralmente, o atendimento é dentro de casa.

Impacto no faturamento

O delivery começou a dar super certo, tanto que eu nem voltei mais para a barbearia. Eu tive tanto resultado que hoje eu atendo o dobro do que eu atendia em uma barbearia.

Trabalhando em salão, o profissional tem o desconto dos custos – desde os produtos que eles forneciam ao aluguel, água, todos esses gastos são compartilhados. Então eu tinha uma porcentagem de mão-de-obra sobre o valor que o cliente pagava. No delivery, eu mantive o mesmo valor que cobrava na barbearia, mas agora não tenho que dividir nada com ninguém”.

Ramon Sousa: “Às vezes tenho que faltar à aula, porque a cliente quer aquele horário”

“Eu tive uma rede de salões. Eu vendi no final de 2018 e montei o meu ateliê, onde atendiam eu e meu assistente apenas. Aluguei uma sala num prédio comercial, montei meu espaço e atendia a minha clientela somente com a hora marcada. Deu super certo, eu mal tinha horário livre. Fiquei assim por quase dois anos, até que veio a pandemia.

Quando teve o primeiro lockdown, fechamos. Comecei a atender algumas clientes em domicílio e acabou virando frequente. Não só por o salão estar fechado, mas porque todas as vezes que o salão era liberado para abrir, as clientes preferiam fazer em casa, até mesmo por medo de se expor ao vírus. Então eu acabei adotando esse sistema “delivery”.

O proprietário do imóvel em que meu salão funcionava foi irredutível em negociar o aluguel, então tive que entregar a sala. Aí bateu um desesperozinho, né? Perdi aproximadamente 70% do meu movimento de clientes, porque nem todo mundo quer o atendimento em casa, porque está com o filho, com o marido. Algumas também acabaram saindo de São Paulo e indo morar no interior ou na praia.

Claro que meu faturamento caiu bastante, mas dá para segurar um pouquinho as pontas com o atendimento em casa.

Também não é que o delivery virou de uma hora pra outra. Foram três meses até as clientes começarem a aceitar a receber a gente. E isso só aquelas clientes mais fiéis, que a gente já tem uma ligação, uma intimidade. Mas outras, não. Até hoje tem clientes que não aceitam delivery nem querem ir a um salão.

Adaptações

Mudou a minha vida toda. Eu trabalhava de terça a sexta-feira. Não atendia aos sábados, domingos e segundas. Hoje, como tenho menos clientes para trabalhar e não posso perder serviço, tenho trabalhado em qualquer dia e em qualquer horário! Isso não é só eu, meus colegas também.

Estou me formando neste ano em biomedicina, então é puxado pra caramba. Tenho que me dividir entre a faculdade e atender. Às vezes tenho que faltar à aula, porque a cliente quer aquele horário. Para atender em casa você gasta, no mínimo, 1h30 a mais, porque a cliente para, vai ver o filho, vai fazer não sei o quê, fazer coisas da casa dela também.

Impacto no faturamento

E ainda a gente teve que mexer nos preços, porque a cliente não aceita pagar o preço do salão estando em casa, mesmo tendo um serviço mais exclusivo. Antigamente, se a cliente queria um atendimento domiciliar, a gente cobrava a mais pra isso. Hoje em dia, não. Não posso cobrar nem o preço que eu cobrava no salão.

Tenho um colega que ele foi atender a uma cliente e, quando chegou a hora de cobrar, ela falou ‘vou te dar tanto’. Ele respondeu que o valor não era aquele, mas ela insistiu que pagaria a menos ‘porque usou a minha luz, a minha água’. Não levam em conta que você gastou gasolina, que você leva mais tempo no atendimento, mais tempo pra se deslocar até ela. Isso impactou muito o faturamento de quem começou a atender domiciliar, caiu bastante”.

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