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Dia Internacional da Mulher: Juliana Romano e Daniela Arrais falam sobre resistência e engajamento

Criado Por
Juliana Tozzi

Leia a entrevista que as duas deram para All Things Hair.

Aproveitando o Dia Internacional da Mulher, o All Things Hair conversou com várias profissionais de diversas áreas afim de ampliar o espaço e o alcance dos diálogos no processo de empoderamento feminino. Eis que Juliana Romano e Daniela Arrais falaram com a gente sobre o tema, cada uma com seu recorte e opinião, o que enriqueceu e aumentou ainda mais o espectro do assunto.

Se por ventura você ainda não as conhece, sem problemas, a gente apresenta: Juliana Romano é repórter de um dos maiores portais femininos do país e também é a criadora do Entre Topetes e Vinis, um blog que desde 2009 é um espaço para todas as meninas e mulheres que não se encaixam nos “padrões”. Já Daniela Arrais é jornalista e sócia da Contente, uma empresa de projetos multimídia que conecta pessoas em missões de impacto emocional positivo, e autora do blog Don’t Touch My Moleskine.

Veja abaixo as duas entrevistas.

Juliana Romano

ATH: Como é a sua relação com a sua própria beleza?

Juliana Romano: Eu me relaciono muito bem com a minha própria beleza hoje em dia. Já fui muito encanada com aspectos do meu corpo, mas super me aceitei faz anos. O processo de aceitação é diário: você tem que se olhar e se amar e aprender a olhar o seu corpo com carinho todos os dias. Só que não acho que a beleza se resuma apenas ao físico. Ela também está no jeito que eu falo, me expresso, em como lido com as pessoas e com a vida, do meu bom humor e otimismo. Eu poderia ser esteticamente muito bonita, mas uma pessoa triste, negativa e insegura e, talvez, ser assim não me faria sentir bonita e nem que as pessoas me vissem como tal. Então, beleza é o conjunto da obra. Trabalho todos os dias para formar essa beleza que admiro.

All Things Hair: Como é ser mulher hoje?

Juliana Romano: Acho maravilhoso ser mulher hoje e acho que amanhã vai ser ainda mais maravilhoso e assim por diante. Ser mulher hoje é ser resistência e você tem espaço para resistir e com quem resistir. É ser lutadora, guerreira e imponente dentro do que você quer fazer. A gente descobriu que tem poder de decisão, de escolha e de força. Temos espaço para lutar pelo que queremos, mesmo que a sociedade ainda seja quadrada, realmente vejo um futuro bom.

juliana romano- dia da mulher

 

ATH: Qual é o status e importância que o Dia da Mulher tem em 2017, com todas as lutas, conquistas e também retrocessos que foram feitos até o período?

Juliana Romano: Todo dia é dia da mulher saber a sua importância, lutar pelo seu espaço e contra o machismo. Mas gosto e acho importante comemorar esse dia, porque acho que a mulher foi muito submissa durante muito tempo e ainda são subjugadas e inferiorizadas na nossa sociedade. Por isso, acho importante que a gente tenha um dia que possamos nos unir e ver como somos incríveis e não precisamos de reconhecimento masculino para isso. É importante sabermos que temos umas às outras e acho que com todas as lutas isso só se fortifica. Há muitos retrocessos, claro, mas sempre vejo a gente caminhando para frente. Ainda há gerações muito machistas que estão vivas, mas também percebo que a cada geração que nasce a coisa evolui. Mas, quanto maior for a nossa resistência, maior será a nossa evolução.

ATH: ATH: Quais são as configurações da identidade e feminilidade da mulher que você acha que merecem e devem ser revistas?

Juliana Romano: Acho que a gente sempre tem que rever padrões. Eles só limitam e segregam as pessoas, tanto os comportamentais quanto os físicos. A mulher é muito pressionada para ter um certo tipo de comportamento, se ela foge disso é taxada de algo pejorativo. Com o corpo acontece a mesma coisa. Precisamos rever a pressão que a gente coloca em cima da mulher

Daniela Arrais

All Things Hair: Como é ser mulher na sua profissão?

Daniela Arrais: Falo de um lugar privilegiado, de mulher branca, classe média, que vive em um grande centro urbano. Considerando isso, na nossa jornada ser mulher tem trazido força, gerado identificação, permitido iniciar conversas importantes, aberto espaços.

Para gente tem sido importante conseguir abrir esse espaço para mais pessoas. Iniciamos no ano passado uma série de encontros chamada #ainternetqueagentequer, em que discutimos vários temas, de detox digital a aceitação do corpo, sempre com o objetivo de criar uma internet mais humana, autoral e acolhedora. Nesses encontros o microfone não está nas nossas mãos, mas sim dando voz a pessoas que têm trabalhos admiráveis, trajetórias de vida diferentes.

Mesmo de um lugar privilegiado, existem, claro, inúmeros problemas no mercado. É comum nos tratarem como ingênuas, fofas, diminuírem a força do nosso trabalho. Ainda existem inúmeros eventos em que a presença masculina é maciça, capas de revistas em que aparecem apenas homens héteros brancos… Mas gosto de ver como cada notícia assim é cada vez mais rapidamente contestada, problematizada. Sei que parece chatice em alguns momentos, mas a gente está vivendo um tempo de crise, de mudança de paradigma. E temos que ter paciência e coragem para construir cada dia.

ATH: Como é a sua relação com a sua própria beleza?

Daniela Arrais: Ainda sou capaz de dizer que meu feminismo alcança muitos aspectos, mas trava em relação a mim mesma. Hoje em dia consigo me achar bonita em alguns momentos, mas ainda vejo mil defeitos no meu corpo, coisas que eu mudaria, mas ao mesmo tempo não mudaria, sabe? De uns tempos para cá tenho me preocupado mais com a saúde, focado nos exercícios, tentado comer melhor. Mas a real é que esse trabalho tem que vir aliado ao processo interno de aceitação do corpo, de acolhimento mesmo. E tem hora em que eu até consigo, mas sinto que ainda tenho um longo caminho.

 

ATH: Qual é o status e importância que o Dia da Mulher tem em 2017, com todas as lutas, conquistas e também retrocessos que foram feitos até o período?

Daniela Arrais: O Dia Internacional da Mulher em 2017 ganhou contornos mais engajados. Nos últimos anos, a impressão que eu tenho é que o foco estava na desconstrução do machismo, daquela coisa de não me venha com flores. Agora existe uma força no chamado a nós mulheres para que a gente se manifeste, para que a gente entenda a luta de outras mulheres, para que a gente saia do ativismo nas redes sociais e vá para rua – não que isso não acontecesse antes, claro, mas chegou com muita força na minha bolha.

É inevitável pensar que essa força existe por conta dos inúmeros retrocessos que vivemos nos últimos anos. Nos Estados Unidos milhares de mulheres marcharam contra o Trump, na Polônia houve uma greve nacional contra o projeto de lei que criminalizaria o aborto. A gente precisa se unir cada vez mais, mesmo com todas as diferenças, para lutar pelos nossos direitos. Sei que para muita gente dá preguiça, outras realmente não podem se ausentar dos postos de trabalho (como apoiar mulheres que não podem se ausentar do trabalho), mas quem puder ir pra rua vai contar como força pra esse momento tão importante.

ATH: Quais são as configurações da identidade e feminilidade da mulher que você acha que merecem e devem ser revistas?

Daniela Arrais: Nos primeiros anos de empresa, eu e a Luiza (sócia na Contente) sempre fomos chamadas de meninas, de fofas. Era como se a gente tivesse se juntado para brincar, para fazer um “trabalhinho” nas horas vagas. Quanto mais o tempo foi passando e as leituras aumentando, mais nos demos conta do quanto não queríamos ser chamadas de meninas fofas. Somos mulheres, mulheres fortes que trabalham, que dão duro, que aprendem constantemente. Conto isso porque acho que acaba sendo comum colocar as mulheres neste lugar. Como se a gente não tivesse no jogo pra valer, sabe? E não só estamos como temos ao lado inúmeras parceiras que estão no mesmo barco. Queremos ser reconhecidas pelo que já somos e enaltecidas por isso também, estimuladas a crescer, a conquistar mais, a deixar um legado.

Sugestões de produtos

All Things Hair indica o Shampoo Suave Mel E Amêndoa e o Condicionador Suave Mel E Amêndoa. Depois, você pode utilizar o Creme de Tratamento TRESemmé Reconstrução e Força.

Juliana Tozzi
Juliana Tozzi
08 março 2017

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