Enfrente a transição capilar sem traumas

Não sabe se está preparada para enfrentar a transição capilar? Está passando ou já passou por essa fase? Confira nossas dicas.

Os cabelos lisos fizeram a cabeça das mulheres por muito tempo. No início dos anos 2000, com a disseminação das escovas definitivas e progressivas, os fios escorridos se tornaram uma verdadeira febre. Mas, hoje em dia, esse efeito está perdendo força e a regra é se “despadronizar” e redescobrir seu próprio estilo. Com isso, muitas mulheres com cabelos crespos e cacheados estão buscando formas de recuperar a textura e o volume dos seus fios originais. Essa fase é chamada de transição capilar.

Mas, nesse ponto, surge um dilema. Os fios alisados quimicamente não voltam a ser o que eram, para conseguir os cachinhos de volta é preciso esperar que os fios cresçam e se renovem. Esse processo é lento e exige muita paciência e determinação. Conheça algumas formas de passar por esse período sem traumas.

Optar ou não pela transição capilar

O professor de psicologia da Faculdade Santa Marcelina, Breno Rosostolato, acredita que essa tendência de adotar os fios naturais novamente pode ser resultado de um resgate do passado representado pelo resgate do cabelo. Mas afirma que não é possível generalizar e que as mulheres não devem optar pela transição (ou pelo alisamento) apenas para acompanhar uma tendência. “O importante é a pessoa ter autonomia e fazer aquilo que ela se sinta bem. Ela deve se aceitar primeiro sem precisar responder aos padrões impostos pela sociedade”, comenta.

O psicólogo afirma ainda que optar pela transição pode sim ser considerado um ato de empoderamento quando esse desejo parte da mulher e reflete a vontade de se reencontrar. “Entendo esse conceito como um movimento emocional da pessoa de acreditar em si e a conscientização de possibilidades e dos próprios limites. Empoderar-se é muitas vezes transgredir e se superar. É não viver atrelada a padrões estéticos ou submeter-se à imposições e arbitrariedades. Acontece que muitas pessoas vivem escravizadas aos padrões estéticos e sofrem muito por não ter um sentimento de pertencimento. Se a mulher se submete a estas transformações por convicções próprias, este é um ato de empoderamento. É a sensação de pertencimento de si”, esclarece.

É importante ressaltar, no entanto, que não basta a vontade de resgatar o cabelo natural para escolher passar pela transição capilar. É preciso ter consciência de que será uma longa fase que pode levar anos. Portanto, considere que você provavelmente estará nesse período nas festas de fim de ano e, talvez, você ainda esteja nele durante o casamento ou a formatura daquele seu parente importante. Será necessária ter perseverança e muita força e vontade para não desistir no meio do caminho.

Os experts em cabelos crespos e cacheados aconselham: “Divertir-se! Esse é um processo inevitável para quem quer os fios crespos, portanto, a solução é encarar com leveza e se divertir com outros assessórios (que não os cabelos), e exercitar o feminino de outras formas”.

Formas de encarar a transição

Está realmente decidida? Vai enfrentar essa fase com cara e coragem? Muito bem! Agora é chegado o momento de decidir como passará por esse período.

Big chop – a transição radical

Também conhecido como o grande corte, o Big chop é a forma mais radical de enfrentar a transição capilar. O conceito é simples e bem autoexplicativo. A ideia aqui é passar a tesoura nos fios quimicamente alisados e esperar que eles cresçam renovados. Na opinião dos hairstylist, essa é a melhor alternativa e é indicada para todas as mulheres. “Na minha opinião, é a forma mais rápida e saudável para o cabelo e as mulheres podem ver a diferença acontecendo dia a dia. Basta encarar com coragem!”, ressalta.

Ao natural

Uma maneira menos radical, mas que exige tanta coragem quanto a anterior é deixar os fios crescerem sem interferências. E isso quer dizer sem apelar para acessórios que usam o calor para moldar os fios, como secadores, chapinhas ou modelador de cachos, muito menos para procedimentos químicos, né? Nesse caso, será preciso muita paciência para esperar que os fios desformes cresçam e a cabeleira comece a se definir, além de criatividade para apostar em penteados que prendam e ajudem a disfarçar o problema.

A grande vantagem é que as madeixas ficarão mais fortes e saudáveis, além disso, você vai se acostumando com o cabelo, testando produtos, conhecendo sua nova forma e redescobrindo o volume.

Para o dermatologista, tricologista e presidente da Sociedade Brasileira do Cabelo, Valcinir Bedin, essa é a melhor alternativa. “O ideal é realmente deixar os cabelos crescerem sem nenhuma interferência, por um período mínimo de 4 meses”, comenta. Ele ressalta ainda que é possível tentar acelerar o crescimento dos fios com algum suplemento que pode ser indicado por um médico para ser tomado via oral. “Alguns destes suplementos podem até dobrar a velocidade do crescimento que é, em média, de 1,26cm por mês”, explica.

Uniformizar os fios – uma opção menos radical

A opção mais adotada pelas mulheres que passam pela transição capilar é finalizar os fios uniformizando as texturas.

Secador, chapinha ou modelador de cachos

Aqui a dica é alisar os cabelos novo que está nascendo com uma escova ou chapinha ou então encaracolar as madeixas quimicamente alisadas. No primeiro caso, a vantagem é já conhecer o resultado final e lidar com a transição sem tantas mudanças. Já a segunda opção vai te ajudar a ir se acostumando com a realidade dos cabelos encaracolados.

O problema aqui é que os fios já fragilizados pelos alisamentos químicos vão continuar a sofrer danos, dessa vez dos secadores, chapinhas e modelador de cachos. Para minimizar esse problema, não esqueça de usar um protetor térmico sempre!

Com produtos e habilidade

Também é possível texturizar as madeixas sem usar fontes de calor. Você pode usar técnicas como a fitagem ou mesmo acessórios simples como os bobes e bigudinhos. Nesse caso, o processo será um pouco mais demorado, mas o resultado deve compensar, já que os fios ficarão mais saudáveis e bonitos.

Caso opte pela texturização, será preciso testar produtos e técnicas diferentes para conseguir encontrar um método que você e seus cabelos se adaptem melhor, encontrando uma forma de texturizar os fios que seja prática para o dia a dia e traga um resultado bacana.

Trancinhas, apliques e mega hair

Esse é outro artifício muito usado pelas mulheres nessa fase da transição capilar. Mas é preciso tomar muito cuidado para o aplique, a trancinha ou o mega hair não danificarem ainda mais o cabelo. É fundamental escolher um profissional capacitado que faça uma avaliação rigorosa do estado das madeixas e indique uma técnica menos agressiva. Alguns tipos de trancinhas podem ajudar até a proteger os cabelos quando bem feitas.

Seja qual for a sua opção para enfrentar a transição capilar, o fundamental é ter coragem e força de vontade. “Pratiquem a paciência porque como toda transição, o processo pode levar um tempo maior do que imaginado. Reflita sobre seus limites e pondere suas atitudes. Se a pessoa se sentir bem consigo, viva e seja feliz. Este é o grande propósito da vida, sermos felizes”, indica o professor de psicologia.

Dicas de produtos

Para deixar o cabelo crescer saudável enquanto você passa pela transição capilar, invista em hidratações diárias. O Creme De Tratamento TRESemmé Keratin Smooth auxilia na hidratação, deixando os fios restaurados, saudáveis e controlando o frizz. O Creme De Tratamento TRESemmé Selagem Capilar Crespo Original contém propriedades que ajudam no fortalecimento dos fios. E o Creme de tratamento Dove Recuperação Extrema ajuda a criar uma barreira deixando-o hidratado por mais tempo, ajudando a reconstruir a fibra capilar.

(Artigo publicado originalmente em MeuCrespo.com.br)