Beleza, cabelo e aceitação: Candy Mel solta o verbo e os cachos sobre ser quem é

Saiba tudo sobre os cabelos maravilhosos de Candy Mel, vocalista da banda Uó, e uma das pessoas que você precisa conhecer e dar follow já!

Talvez você já tenha visto o furacão Candy Mel em ação no microfone e nos vídeos da Banda Uó. Mas você precisa conhecer Mel Gonçalves, o cérebro, coração e volumosos cachos por trás do codinome artístico. Ela é linda, estilosa, talentosa, bem resolvida e já teve muitos cabelos diferentes nessa vida. O All Things Hair Brasil entrevistou a cantora que, aos 25 anos, tem imagem e voz representativa que não poderiam ser mais fortes e emblemáticas: mulher trans e negra. Saiba como foi a conversa sobre beleza, cabelos e aceitação.

Mel nasceu em Goiania (GO) e mudou para São Paulo, em 2011, com os companheiros de banda Mateus Carrilho e Davi Sabbag. O grupo conquistou sucesso, projeção nacional e internacional e serviu como plataforma para a artista alçar vôos maiores: apresentar um programa semanal de debates na TV Brasil, o Estação Plural, participar de uma campanha de beleza em prol do combate do câncer de mama e ser uma das ícones do movimento trans no país.

ATH: Quando foi que você começou a perceber que era diferente?
Candy Mel: A minha percepção de descoberta da mulher foi uma coisa bem de criança mesmo. Foi bloqueado durante um tempo, obviamente por causa do contexto e porque as pessoas não tinham esclarecimento na época. O meu grito de desespero foi aos 14 anos. Entrei em parafuso porque não sabia o que estava acontecendo comigo. Aos 16, comecei meu processo de revelar ao mundo quem realmente sou. Tive a certeza de que eu era uma pessoa trans.

ATH: Nessa época, quais foram suas primeiras janelas estéticas de feminilidade?
Candy Mel: Batom e esmalte. Uma das primeiras coisas que fiz foi pintar as unhas. No meu cabelo, a primeira coisa que fiz foi alisar, acho que porque dava a sensação dele ser mais comprido.

ATH: Você lembra quando começou ver beleza em si mesma?
Candy Mel: Parei de me achar estranha e comecei a me enxergar como bonita quando encontrei o movimento de pessoas que eram parecidas comigo e não me vi mais só. Isso faz pouco tempo, uns quatro anos, no máximo. Foi a partir do momento que fiz minha rede de amigas trans que compartilham das mesmas histórias, da mesma beleza e vivência que eu. Encontrei a minha força e a minha forma de me amar. Beleza depende da referência que você tem. Existem muitas belezas.

ATH: E o que descobriu de mais bonito em você?
Candy Mel: Acho que é minha autoestima. Engraçado que autoestima não tem muito a ver com você participar de um padrão, mas é de saber e aceitar quem você é. Mas acho o meu cabelo bonito e demorei muito para gostar dele, tanto fiz várias mudanças drásticas. Gosto também da minha pele, do meu sorriso e também da forma como falo com as pessoas e de a reação delas quando me ouvem. Mas são descobertas que estão vindo aos poucos.

All Things Hair: Quantos tipos de cabelos diferentes você já teve?
Candy Mel: Já tive uns 15 cabelos diferentes nos últimos cinco anos, incluindo corte e tintura. Ele foi de platinado a multicolorido: pintei de azul, vermelho, laranja, roxo, e com todas essas cores fantasia juntas ao mesmo tempo. Depois fiquei desesperada, porque a descoloração e toda a química foi muito agressiva e prejudicou muito o cabelo. Precisei cortar curto, porque os fios estavam se dissolvendo. Teve uma época também que usei o cabelo liso e, depois, veio a fase do mini black power. Dois anos depois, meu cabelo chegou nesse comprimento que está hoje, com ajuda de telas para dar volume, claro. Agora parei de mexer e não quero mudá-lo tão cedo. Vou deixar ele assim grandão, porque me encontrei nele e pretendo só fazer penteados. Já ousei demais!

ATH: Quais são as suas inspirações capilares hoje?
Candy Mel: Sou muito ligada na cultura dos anos 70. Cabelos com volume me atraem. Gosto dos cortes, da fluidez dos cachos com uma pegada mais natural, típica dessa época. O cabelo cacheado com volume remete à liberdade e a naturalidade.

gif candy mel

ATH: Como você gosta dos seus cachos?
Candy Mel: Não gosto dos cachos muito fechados e bem feitinhos. Isso me remete a uma coisa meio princesa que não gosto também. Prefiro ele volumoso e ocupando espaço. Adoro ele assim justamente por ser diferente. Acho que é uma coisa bonita, que se encaixa na minha personalidade e que consigo segurar. Fico revoltada ao ouvir histórias de pessoas que não conseguem emprego porque têm o cabelo cacheado, volumoso ou com black power porque não consideram esse tipo de cabelo um “visual sério”.

ATH: As mudanças no cabelo alteram o modo como você se veste?
Candy Mel: Alteram bastante sim. No geral, acho que sou meio esotérica e faz parte do meu look ser meio bruxa. Meus cabelos casaram com essa personagem mística que criei para mim. Acho que alterá-lo significa mudança de ciclo. Pode mostrar alguma mudança interna, pelo menos comigo funciona assim. Mudei meus fios quando me senti mal, mudei de namorado, saí da casa da minha avó ou quando briguei com um amigo.

ATH: Por que você escolhe o cabelo, e não outra parte do corpo, para manifestar esses períodos de transição?
Candy Mel: O cabelo é uma das primeiras coisas que a gente repara no outro e funciona como uma aura, uma coroa. Uma espécie de manto que tem a ver com proteção. Por exemplo, não gosto que peguem no meu cabelo e sou super traumatizada com isso. Já arrancaram um maço do meu num show há muito tempo atrás. Sangrou e foi muito violento. Cabelo é uma coisa muito delicada e íntima, que carrega uma energia muito grande e que está na nossa cabeça, que é o lugar que pensamos e interpretamos o mundo. Essa energia não pode ser corrompida ou quebrada dessa forma.

ATH: Já escutou alguma coisa desagradável sobre o seu cabelo?
Candy Mel: Já me chamaram de leoa, selvagem, cabelo de vassoura, palito de fósforo. Acho tudo ridículo e podre. Você acha que eu pintaria o meu cabelo com essa cor e provocaria esse volume nele se eu estivesse preocupada com o que as pessoas vão achar ou não disso?

ATH: Quais são os cuidados que você tem com o cabelo?
Candy Mel: Cuido muito dele. Prendo os fios num coque na hora de dormir. Quando acordo e solto os cabelos, borrifo um leave-in misturado com água que faz os cachos aparecerem. Às vezes uso uma escova raquete para dar uma desfiada no cabelo, debaixo para cima, e criar mais volume. Lavo o cabelo de duas a três vezes por semana e uso creme de pentear. Não dá para lavar cabelo cacheado todos os dias. Não fica bonito no dia que lava e a hidratação natural fica prejudicada. É obrigatório fazer hidratação quando se tem cabelo cacheado. Faço a minha no salão, com o Rodrigo Zucco, do salão Lab. Duda Molinos, que é quem cuida dos meus fios com um produto à base de óleo de coco. Seco os fios com o secador mas sem difusor, por ele deixa o cachinho mais bem feito e não curto assim.

Sugestões de produtos

Um dos segredos para conseguir um cabelo dos sonhos é sempre fazer hidratações. O All Things Hair sugere o Shampoo TRESemmé Cachos Perfeitos, proporciona a definição perfeita dos cachos, controlando os fios rebeldes e ajudando a manter a forma por mais tempo. Experimente junto com o Condicionador TRESemmé Cachos Perfeitos, promete desembaraçar e hidratar os cabelos sem sacrificar o movimento natural dos cachos.

Use o Creme Para Pentear Seda Recarga Natural Força Antiquebra, feito com raiz de ginseng e fusão de óleos, ajuda a recarregar a vitalidade dos fios, além de fortalecer e hidratar o cabelo da raiz às pontas. Ao revestir a fibra capilar, ele protege os fios contra a quebra e também facilita o penteado.