Outubro Rosa: histórias de mulheres que perderam o cabelo e encontraram a beleza real

Amanda Miquelino | 25 outubro 2017
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Veja como mulheres que estão em tratamento contra o câncer de mama lidaram com a perda do cabelo e conseguiram resgatar a autoestima.

Outubro é um mês que ganha a cor rosa para conscientizar as mulheres para uma causa muito importante: a luta contra o câncer de mama. Esse movimento surgiu nos Estados Unidos e ficou mundialmente conhecido como Outubro Rosa. Nós de All Things Hair vestimos a cor rosa e entrevistamos mulheres que enfrentam essa batalha e superam as barreiras todos os dias. Conheça as incríveis histórias dessas lindas mulheres.

Outubro Rosa: a autoestima e superação de mulheres que lutam contra o câncer de mama

mulher ilustrando a matéria sobre outubro rosa
Foto: Divulgação

Rinália Rosa Evaldt

Rinália, 26, nasceu em Porto Alegre, é assistente administrativa, casada e tem um filho de 3 anos e 9 meses. Apaixonada pela família e pela vida, a moça ama música e gosta muito de trabalhar.

All Things Hair: conte um pouco da sua história com o câncer de mama, como ficou sabendo, como lidou com a doença e o tratamento.

Rinália: Descobri o câncer de mama após uma cirurgia bariátrica. Eu era obesa e não conseguia mais emagrecer depois da gravidez, então resolvi fazer a cirurgia de redução do estômago. Depois que eu emagreci uns 25 kg, senti pela primeira vez como se fosse uma pedra na mama direita. Eu achei estranho, mas não dei muita atenção no início. Com 24 anos, nunca passou pela minha cabeça que fosse câncer, só que o tempo passou e aquela “pedra” aumentou. Foi então que procurei minha médica e fui diagnosticada com câncer de mama. Foi um susto, mas desde o início eu sabia que ia vencer.

Meu tratamento começou pela quimioterapia. Fiz um total de 8 sessões que eram realizadas a cada 21 dias. Depois, fiz a mastectomia radical da mama direita com esvaziamento axilar e colocação de prótese expansora. Em seguida, fiz 25 sessões de radioterapia e agora estou sob uma medicação que é terapia-alvo para o meu tipo de câncer, o Her2+. Uso essa medicação a cada 21 dias no hospital e o processo vai ainda até abril de 2018. Portanto, meu tratamento ainda não terminou, mas estou bem próxima da vitória.

ATH: Como era sua relação com a estética, principalmente com o cabelo, antes do tratamento contra ao câncer?

Rinália: Como quase toda mulher, eu tinha uma relação de amor com o meu cabelo. Ele era liso, bonito e comprido. Eu gostava dele, mas por incrível que pareça perder o cabelo não foi difícil para mim. Fiquei até ansiosa para ficar careca e ver como ficaria e me amei assim mesmo.

ATH: E depois do tratamento? O que mudou em relação a isso?

Rinália: Sempre digo que o câncer me transformou em uma pessoa melhor. Aprendi a ver sempre o lado bom de tudo, aprendi a me amar e me aceitar do jeito que sou. Me senti linda careca e vi que o cabelo é só um acessório. A beleza está dentro da gente!

ATH: Como você conseguiu manter a autoestima e a estética durante o tratamento?

Rinália: Logo que raspei o cabelo fiz um ensaio de fotos com um fotógrafo para me ajudar nessa questão da autoestima. Isso me fez muito bem, me senti linda, percebi que o sorriso era o que eu tinha de mais bonito e decidi que ia tentar mantê-lo o máximo que pudesse. Não queria perder minha alegria durante o tratamento e, na maior parte do tempo, eu consegui.

ATH: Você decidiu usar perucas?

Rinália: Não, eu assumi a careca e adorava ela. A careca me deu uma sensação de liberdade, de mudança, de atitude… Até comprei lenços e turbantes, mas nunca consegui usar. Só usava muito filtro solar e chapéu quando ia ficar exposta ao sol.

ATH: Que recado você dá para incentivar a prevenção e também para mulheres que estão em tratamento agora?

Rinália: Eu faço um apelo para todas as mulheres: façam sempre o autoexame, não importa sua idade. Descobrir o câncer precocemente pode salvar sua vida. Não tenha medo, porque as chances de cura do câncer de mama descoberto no início são muito maiores. O câncer não é uma sentença de morte. Qualquer coisa diferente procure um médico. Para as mulheres que estão em tratamento, eu desejo força e fé: a caminhada não é fácil, mas nós podemos torná-la em aprendizado e crescimento.

Shaiene Pinho

mulher ilustrando a matéria sobre outubro rosa
Foto: Divulgação

Shaiene, 28, atualmente mora em Santa Catarina e gosta de pequenos momentos de adrenalina no dia a dia: anda de skate e de moto. Adora séries e jogos. Passou boa parte da vida morando perto de praia e, por esse motivo, ama o mar.

All Things Hair: conte um pouco sua história com o câncer de mama, como ficou sabendo, como lidou com a doença e o tratamento.

Shaiene: Em 2013, minha irmã mais velha, com 43 anos, foi diagnosticada com câncer de mama. Lembro que foi devastador para mim e para minha família. Não sabíamos nada sobre câncer. Essa foi a primeira vez que lidei com a doença. Não foi nada fácil.

No início de agosto deste ano, após uma inflamação na mama direita, procurei minha ginecologista. Fiz diversos exames que não acusaram nada e, a princípio, era apenas uma ‘mastite’. Após tomar todas as medicações recomendadas e a inflamação não melhorar, minha ginecologista solicitou uma biopsia.

No dia 21 de agosto fui buscar o resultado, acreditando que era apenas uma inflamação e que logo passaria. Para a minha surpresa: fui diagnosticada com câncer de mama aos 28 anos. Um desespero tomou conta de mim. Fiquei dois dias sem comer e sem dormir. Lembro que o mais difícil foi contar para minha família. Minha irmã foi a primeira a saber: ela me confortou e se manteve firme. Ela foi minha ‘assessora’: marcou todos os médicos e me levou para todos os exames. O câncer não a assustava.

Após esse período de susto e medo, me fortaleci em uma fé que eu achava que não existia em mim. Hoje vejo a doença como um aprendizado e não como um castigo. Acredito que passamos por períodos difíceis para amadurecer na nossa caminhada evolutiva.

Ainda estou em tratamento neoadjuvante, o qual se realiza primeiramente a quimioterapia. Além do tratamento convencional, procurei alguns tratamentos complementares, como dieta alcalina e curas espirituais. Acredito que seja só questão de tempo para a cura completa.

ATH: Como era sua relação com a estética, principalmente com o cabelo, antes do tratamento contra ao câncer?

Shaiene: Minha relação com meu cabelo nunca foi das melhores. No início da minha adolescência ele mudou do liso para o crespo. Eu não sabia como lidar com ele e vivia em guerra com a escova. Anos depois, já na fase adulta, passei a gostar mais do meu cabelo: fiz diferentes cortes, fiquei ruiva, loira, morena e raspei a lateral. Há um ano eu era escrava das escovas definitivas, que economizam tempo na frente do espelho.

ATH: E depois do tratamento? O que mudou em relação a isso?

Shaiene: Comecei a quimioterapia e meu cabelo caiu. Eu já sabia que isso ia acontecer, achei que ficaria triste, mas para minha própria surpresa eu adorei o ‘novo corte’. Lembro que as quedas eram progressivas e é horrível ver o próprio cabelo caindo, então fui até um salão para raspar. Recordo que no momento que a máquina passava na minha cabeça, eu me sentia ‘desconstruída’, mas sabia que algo novo surgiria disso.

Com a ausência do cabelo, passei a enxergar outras belezas, que eu não via em mim. Até então, eu não me achava bonita, mas sem o cabelo comecei a perceber que minhas orelhas são lindas, que meus olhos combinam com o formato do meu rosto, que tenho uma boca bonita e meu nariz está em harmonia com todo o resto. Sem contar, que minha cabeça é bem redondinha. Normalmente recebo elogios quando ando pela rua sem nada cobrindo a ‘careca‘.

ATH: Como você conseguiu manter a autoestima e a estética durante o tratamento?

Shaiene: Com o diagnóstico do câncer, você sabe que não tem nada a perder, então está liberada para ousar e ser quem quiser. Sempre fui básica e minimalista, mas agora eu quero experimentar outras coisas, não dá para sair apenas com uma base e lápis de olho quando não se tem cabelo. Passei a usar blush e batons de cores que eu jamais usaria, e hoje adoro.

ATH: Você decidiu usar perucas?

Shaiene: Inúmeras pessoas me ofereceram seus cabelos e perucas, mas eu não gosto. Não tenho nada contra perucas ou quem usa, mas eu gostei muito de mim assim, sem os cabelos, me acho bonita e sinto que não preciso.

ATH: Que recado você dá para incentivar a prevenção e para aquelas que estão em tratamento agora?

Shaiene: Digo para todas mulheres fazerem o exame de mama. Quem tem câncer tem pressa. O quanto antes você descobrir, mais rápido e menos doloroso será o tratamento. Assim, mais chances de cura você terá. Não esperem um ano para ir ao médico, façam sempre o autoexame.

Para mulheres que estão em tratamento, eu peço para não deixarem de sorrir. O que irá definir o fim do tratamento é como você se sente. Procurem a cura, seja ela espiritual, uma dieta, um lugar sagrado. Tentem de tudo e o mais importante: amem muito a si mesmas.

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