#AmoMeuCabelo: “Nossa, eu estou liberto!”, Danilo Rainha conta como o cabelo se tornou parte da sua memória nas fases da vida

Danilo aproveitou a fase de isolamento social para radicalizar no visual e raspar os fios. ele conta como isso afetou na sua autoestima e na relação com ele mesmo.
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O cabelo é uma lembrança que Danilo Rainha, o futuro psicanalista de 27 anos, sempre tem quando pensa em momentos marcantes da sua vida. Desde quando era criança e decidiu deixar os fios crescerem, até quando resolveu raspar a cabeça por completo, no período de isolamento social. Aqui, ele conta por quais transformações já passou e como elas mudaram a sua percepção da vida e dele mesmo.

Eu lembro que uma vez eu fui jogar bola com o meu pai, eu não jogava, só via ele jogar porque nunca fui bom de bola. Na hora que eles estavam entrando no campo saiu um cara com um cabelo grande, ele estava usando uma faixinha e eu falei “nossa! Ele está muito bonito! É isso que eu quero, eu quero um cabelo grande”. Foi muito louco porque eu lembro dessa fase da minha vida, do processo de eu deixar meu cabelo crescer e obviamente sofrendo todos os bullyings da fase, da época e da sociedade por eu ser um homem como cabelo grande e não um homem masculino, eu não era nada do padrão.

homem com cabelo curto castanho com topete
Foto: reprodução | Instagram @danilorainha

Para mim o cabelo era uma resistência porque ele me ensinava a ser forte porque ninguém queria que eu tivesse o cabelo comprido, mas eu queria ter. Foi a primeira relação forte que eu fiz com o meu cabelo, do tipo: como eu posso expressar alguma coisa que eu estou sentindo, que eu estou vivendo, baseado no cabelo que eu tenho? E para mim, quando eu mudo é quando eu registro aquele momento. Então, se hoje eu lembro de quando eu tinha 11 anos, que eu tinha cabelo curto e queria deixar ele grande, me remete a várias memórias dessa fase da minha vida por causa do cabelo.

Do topete rockabilly à máquina zero

No começo do ano eu estava com um topetão rockabilly. Então eu diminui o cabelo, raspei máquina zero embaixo, fiz uma cuia e depois eu raspei. No carnaval, eu descolori o raspado, aí cresceu e eu fiquei com ele descolorido. Meu cabelo estava platinado, já grande e com uma cor muito bonita. Um belo dia eu falei: não está legal para mim, eu não estou me sentindo bem mais com esse cabelo e eu tinha perdido os pentes da minha máquina: ou eu raspo no zero ou eu não corto.

homem com corte curto cuia
Foto: reprodução | Instagram @danilorainha

A primeira coisa que eu pensei foi: o meu cabelo, socialmente, está no ápice, mas o que eu quero? Eu quero raspar. Eu passava a mão e não sentia nada e a primeira coisa que eu pensei, quando eu olhei para o espelho e vi meu cabelo raspado foi: o que as pessoas vão pensar?

Mas a segunda coisa que eu pensei foi o que deveria ter sido a primeira: nossa, eu estou liberto! As épocas da minha vida que eu passei que foram marcantes, eu sempre lembro do cabelo que eu estava usando. Daqui 10 anos, quando eu lembrar de como foi a quarentena, eu vou lembrar que eu raspei meu cabelo no zero.

homem com cabelo curto descolorido
Foto: reprodução | Instagram @danilorainha

Identificação com o cabelo e aquilo que escolheu ser

Eu registro no ato que eu estou mudando meu cabelo uma mudança. E a partir do momento que eu coloco como aquilo é diferente, a minha postura tem que ser diferente. Então, se eu estava com o cabelo comprido, topetão e mudo drasticamente, quando eu me olho no espelho eu tenho que controlar meu impulso de pensar o que o outro espera de mim. Olhar pro espelho e falar: esse sou eu e quem eu escolhi ser.

E justamente quando eu estou no meu ápice de autoestima é quando eu derrubo o que a sociedade quer falar, que espera de mim. Quando eu estou muito bem comigo, é quando eu não espero que você me ache belo, é quando eu me acho belo, quando eu me acho dono das minhas escolhas. Quando eu escolho meu cabelo, quando eu escolho a minha roupa, quando eu escolho a minha fala. Porque mais do que “esse sou eu”, que isso a gente, teoricamente, já sabe, é eu me colocar em um lugar de eu não estou nem aí.

Sugestão de produtos

O couro cabeludo é essencial para a saúde do fio como um todo. E é importante cuidar dele mesmo com a cabeça raspada. Por isso, para lavar a cabeça, a gente indica o Shampoo Clear Men Sports Limpeza Profunda. Outra opção boa é o Shampoo Dove Men+Care Limpeza Refrescante.