#AmoMeuCabelo: Ana Fonte conta como foi descobrir – e amar! – seu cabelo branco

Depois de anos tingindo o cabelo, a atriz decidiu assumir os fios brancos e compartilhar a sua transição capilar no @anagrisalhando.

Se até pouco tempo atrás mulheres de cabelos brancos eram consideradas desleixadas e velhas, hoje em dia o papo é diferente. Assumir os grisalhos é sinônimo de liberdade e muitas estão aproveitando para se desprenderem de rotinas estressantes de pintura, que muitas vezes prejudicam os fios. Uma delas é Ana Fonte, de 35 anos, que criou o perfil @anagrisalhando no Instagram para contar, mês a mês, sobre o seu processo de transição para os brancos e incentivar que outras pessoas criem coragem também.

“Só quando começa a incomodar que a gente repara, né? Foi a partir dos 18 anos que eu comecei a tingir o cabelo por causa dos brancos. Já desde cedo eu tenho cabelo branquinho. Com 20, 21 anos eu já tinha uma rotina de tingir de 15 em 15 dias esse cabelo branco que nascia, porque eu sou atriz, sempre trabalhei com teatro, comercial. Tinha que estar retocando com frequência, senão eu não passava em nenhuma seleção.

Eu me sentia pressionada pela minha profissão e pela sociedade em geral, porque a mulher não pode ter o cabelo branco. Isso é um reflexo de várias  crenças de que cabelo branco é o fim da vida, algo que só vovozinha fazendo tricô pode ter. A minha vida inteira foi alguém mexendo no meu cabelo e eu o modificando também por causa da minha carreira.

A primeira tentativa de deixar o cabelo branco

Tive a minha filha, com 30 anos, e comecei a viver mais só para ela. Eu sempre quis ser mãe, foi uma coisa que eu desejei muito, então, quando a tive, resolvi ser só mãe dela. E realmente eu não tinha vontade de fazer mais nada, nem me cuidava quase. O cabelo foi ficando, mas não foi uma coisa pensada: fiquei com preguiça e resolvi não fazer mais nada. Fiquei uns dois meses assim.

A partir disso, comecei a pensar se deixava ou não deixava os fios brancos. Foi aí que comecei a pesquisar e vi que isso já era um movimento internacional – as mulheres deixando o cabelo grisalho, se libertando da tinta – e comecei a pensar a respeito disso.

É uma coisa muito mais interna decidir não tingir mais seu cabelo do que uma opção ou um desejo de ficar mais bonita.

Naquele momento, eu não consegui. Eu ainda precisava resolver algumas questões minhas. É uma coisa muito mais interna decidir não tingir mais seu cabelo do que uma opção ou um desejo de ficar mais bonita. O que você quer com isso? Onde você quer chegar? Por que essa necessidade de ficar grisalha, de ver os seus fios brancos nascerem, de saber realmente quais são as cores dos seus fios porque não sabe como você é de fato? [Se] Você está sempre tingindo, não deixa a natureza se mostrar como ela realmente é. É difícil porque você tem que romper com um padrão onde as pessoas vão te julgar muito, ainda mais quando você trabalha com a imagem.

Libertação e aceitação do cabelo como ele é

Eu sempre tive dificuldade em aceitar o meu cabelo. Ele era cacheado e, para estar dentro de um padrão de beleza, eu comecei a alisar. Então eu alisava e tingia. Maltratei para caramba o meu cabelo, nunca tive uma relação tranquila com ele. Eu comecei o alisamento com 23 ou 24 anos, fazia escova progressiva e isso vai acabando com os fios, né? Vai destruindo. Eu sempre me dei muito bem com a minha aparência, mas o meu cabelo eu achava uó. Eu nunca tive orgulho dele, não ficava satisfeita em ter que alisar e tingir o tempo inteiro.

mulher com cabelo branco solto ondulado
Foto: reprodução | Instagram @anagrisalhando

Também comecei a não me identificar mais com aquele castanho que eu via e que gostava. Sempre achei incrível estar com o cabelo escuro, de franjinha. Mas aí, com 35 anos, não estava me identificando. Eu olhava no espelho e falava: nossa, não tem mais nada a ver comigo esse cabelo.

Isso foi até janeiro. Eu fumei durante dez anos da minha vida. Eu quis começar esse ano de uma forma totalmente diferente e decidi cortar tudo o que me fazia mal. Aí eu parei de fumar e parei de tingir o cabelo. ‘Não quero mais essa rotina na minha vida!’. Eu acho exaustiva e queria ver realmente como eram os meus fios. Por que eu vou ficar fazendo uma coisa que não me faz bem só por causa de padrão? Padrão ultrapassado… É um padrão que a gente tem que romper e eu adoro uma revolução.

Faz 6 meses que eu parei de tingir e o meu cabelo é outro. Ele está ficando bem sedoso. O cabelo inteiro, mesmo a parte que ainda é tingida.

O olhar dos outros

Eu moro em um lugar onde as pessoas são bem evoluídas. Aqui em Ubatuba (cidade no litoral norte de São Paulo), as pessoas são super zen. No início da minha transição, antes do isolamento social, eu fui a alguns aniversários de amiguinhos da minha filha e eu falava para as pessoas que estava começando a transição, meio que com vergonha, e a reação das pessoas foi tão tranquila que eu comecei a me libertar mais. Tive muita gente bacana ao meu redor falando que era o melhor que eu podia fazer. Tive sorte. O meu marido foi o primeiro a me incentivar, ele sempre falou para eu deixar o meu cabelo branco, porque ele falava que ia ficar lindo natural, que tinha tudo a ver, que eu ia ficar mais saudável.

mulher com cabelo branco, coque e franja
Foto: reprodução | Instagram @anagrisalhando

A maior dificuldade é das pessoas mais velhas de aceitar o cabelo branco. Também porque antigamente a tinta era uma forma de poder para as mulheres, era um poder que elas tinham que as transformava em uma mulher mais jovem. Então, é difícil você tirar isso da cabeça das senhoras. Tem uma senhora que eu conheço há anos que é a única pessoa que falou mal de mim e foi pela internet. Ela falou: “nossa, ficou horrorosa com esse cabelo. Parece uma velha!”.

Em compensação, é muito lindo ver essas meninas novinhas chegando até mim para contar que nunca pintaram o cabelo e que não querem pintar. Essa crença de que você ter cabelo branco é porque você envelheceu precisa ser exterminada.

Compartilhando os cabelos grisalhos no Instagram

Comecei a compartilhar a minha experiência no Instagram por causa das referências internacionais. Aqui no Brasil não tinha quase ninguém fazendo esse acompanhamento que eu faço. Queria que esse movimento crescesse também dentro da internet que é uma forma mais fácil de interagir, compartilhar e agrupar os interesses em comum.

mulher com cabelo branco semipreso com franja
Foto: reprodução | Instagram @anagrisalhando

A gente tem uma rede de apoio muito grande entre todas as mulheres que me seguem, é muito legal. Eu não imaginava que isso fosse acontecer. Eu não imaginava que mulheres que ainda não tivessem começado a transição fossem iniciar por causa do perfil.

Tento sempre colocar fotos bonitas e divertidas para tirar toda essa visão de que cabelo branco é de gente que não quer mais viver. Eu gosto de fazer o Instagram que é para motivar cada vez mais as mulheres, seja da idade que for, a se libertarem.

Variando o grisalho com penteados

Agora eu estou aprendendo a fazer todos os penteados. Aprendi a fazer trança embutida porque fica lindo com o contraste do branco. Eu comecei a amar os meus cabelos a partir do momento em que eles começaram a nascer brancos.

mulher com cabelo branco semipreso com trança
Foto: reprodução | Instagram @anagrisalhando

Para passar por esse momento de transição, quando as pessoas acham que é feio ficar com duas, três cores, você precisa ver beleza, precisa fazer esse momento ser bacana e divertido. Porque, não adianta, a gente está acostumada a querer ver só o resultado de tudo! Mas a tem um processo que é onde você vai amadurecer, se reconhecer.

Acessórios e sprays para disfarçar

No início é mais difícil mesmo de lidar com os fios brancos, porque você ainda está se aceitando, ainda está no processo de se descobrir e de amar aquele cabelo. Nesse momento, se você tem um evento para ir ou algum compromisso importante, pode usar aqueles sprays da cor do cabelo que saem com água. Dá para também disfarçar com uma bandana ou um lenço.

mulher com cabelo branco em um rabo de cavalo
Foto: reprodução | Instagram @anagrisalhando

Rotina de cuidado com o novo cabelo

Como eu estou mais apaixonada pelos meus cabelos, eu estou hidratando mais, o que eu não fazia tanto. A cada 15 dias eu faço hidratação com óleo de coco e uso shampoo e condicionador normal.

Qual é o momento de cortar?

Desde que a gente começa a grisalhar, já pensa nesse momento de cortar o cabelo. Você pode ou raspar ou esperar e fazer um pixie ou deixar crescer e ir aparando as pontas, até chegar em um tamanho que você crie coragem. Dá para tingir a parte que está escura para ficar igual ao cabelo branco. Essa última opção eu descartei porque o meu cabelo é muito escuro e eu sei que ia destruir muito mais. Por enquanto, estou deixando crescer para chegar na altura da orelha e fazer um chanelzinho legal.

O que mais me impulsiona agora é ver como vai ficar o resultado final.

Quero assumir os brancos! Por onde começo?

Acho que a pessoa tem que, antes de qualquer coisa, decidir por ela mesma. Tem que fazer uma autoanálise e pensar no que ela espera, o que ela quer. Se pintar os cabelos é realmente uma coisa que está te sufocando, se é uma pressão, se não te faz bem, não tem por que continuar tingindo. O importante é se sentir bem. Se você se sente bem com a sua escolha, quem te ama e quem está ao seu redor só vai ficar mais feliz em ver a sua felicidade.

Falo sempre que é renascer e é um encontro com quem você sempre foi ou com quem você quer ser a partir de agora. E fique tranquila, o seu cabelo só vai ficar mais bonito. Experimenta! Se achar que não é para você, tinge de novo, está tudo bem.”

Sugestão de produtos

Quem tem os cabelos brancos as vezes pode acabar ficando com eles um pouco amarelados. Para isso, a gente sugere o Shampoo Bed Head Dumb Blonde dia sim, dia não.

 

Manter a hidratação em dia também é necessário! Use a Máscara de Tratamento Seda Nutre uma vez por semana ou a cada 15 dias, dependendo da necessidade dos seus fios, para mantê-los saudáveis.

Próximo