Cabelo é parte essencial da cultura drag queen; especialista alerta para cuidados com lace

Muito importante na construção do visual das drag queens para performar, a lace wig é peça-chave no look das artistas e precisa de cuidados especiais. Entenda!

A arte das drag queens é parte essencial da comunidade LGBTQIAP+. Muito mais do que performar gênero ou dar a “ilusão” de feminilidade, como algumas definições tradicionais, a arte drag é um fenômeno cultural, atravessado por questões políticas e de liberdade de expressão.

Com a popularidade de realities como RuPaul’s Drag Race, a arte drag, que já existia na comunidade queer underground há muitos anos, bombou no mainstream e hoje é representada no Brasil por artistas como Pabllo Vittar, Gloria Groove e a veterana Silvetty Montilla.

Um elemento essencial para a arte drag é o cabelo. Muito além de ser um mero acessório, é o cabelo que ajuda a montar o look e mostrar a personalidade única de cada drag queen.

Em alguns casos, o cabelo também pode ser um movimento cultural em si mesmo: na cena drag dos anos 80, Marcia Pantera foi responsável por popularizar o chamado ‘bate cabelo’, no qual as drags rodam a cabeça batendo seus cabelos com violência e competem entre si pelos melhores movimentos.

A gente separou o depoimento de duas drags para contar a importância da lace wig no trabalho delas e de uma especialista, que conta quais cuidados tomar com o cabelo da peruca e com o natural. Vem ver!

Quem está acostumado a ver a arte das drag queens sabe que o cabelo é parte muito importante na hora de montar o visual. Mas além do look, é preciso ter cuidados não só com o acessório, mas também com o próprio cabelo.

A peruca é a cereja do bolo

“O cabelo é algo super importante na hora do visual. Ele é pensado paralelamente com o look, não dá para ser depois. Ele que molda tudo. Isso porque eu nem uso muito penteado, porque usar ele solto ajuda na hora de performar. Eu adoro um cabelão ondulado, liso, com aparência de molhado, ou trançado. Costumo dizer que a lace, para mim, é a cereja do bolo. Mesmo depois da lente, do look, a lace é a última coisa que coloco antes de sair. Ela é algo importante porque molda totalmente o visual. Quando você está sem maquiagem e coloca a lace, não tem o mesmo efeito”, explica a drag queen piauiense Synceria, que começou na cena em 2017.

drag queen synceria com peruca lace curta
Drag queen Synceria | Foto: reprodução | Instagram @synceriaa

No começo do movimento queer no Brasil, as festas underground eram comandadas por drags pretas e indígenas, que acabaram ficando de fora da cena mainstream e até hoje são pouco representadas quando falamos de publicidade, TV e redes sociais. Da mesma forma, drags fora do eixo Rio-SP são menos representadas na mídia, mesmo com cenas culturais representativas em suas cidades.

“Minha primeira vez montada foi na festa junina do colégio. Mas comecei a tocar mesmo nas festas universitárias em Teresina, e daí deslanchou. Me inspiro muito em drags brasileiras como Silvetty Montilla e Gloria Groove, além da cultura dos animes. Também me inspiro demais em drag queens negras como Bob The Drag Queen, Monét X Change e Shea Couleé, porque isso me enriquece mais do que ter como referência só drags brancas, que são maioria”, explica Tainah Porta, residente do LIGHTS Music & Bar, em Teresina.

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Drag queen Tainah Porta | Foto: acervo pessoal

Para ela, o cabelo é algo essencial na hora de se expressar. “Eu tenho um cabelo bem grande. Muitas drags preferem manter curto para colar a lace, mas eu coloco uma peruca, passo fita para prender. Sempre faço hidratação, cuidando, massageando o couro cabeludo. Tenho sorte de ter um cabelo com descendência indígena, então não preciso de tanto cuidado, mas ainda tenho essa atenção”.

Para Synceria, é preciso um cuidado casado, tendo cuidados tanto com seu cabelo natural quanto com a lace. “Os cuidados que temos com a lace precisam ser os mesmos que temos com nosso cabelo. Eu lavo e hidrato minhas perucas, o efeito e o movimento é outro. Além disso, chegar com aquela peruca cheirosa é tudo. Cuidar da lace é algo terapêutico”.

Cuidados necessários

Para drags que utilizam a lace por muitos dias, é essencial lembrar que o couro cabeludo pode sofrer com essa prática e precisa de cuidados especiais.

“Qualquer pessoa que optar por usar uma peruca lace deve atentar para a saúde e higiene adequada do couro cabeludo e dos seus fios naturais. É preciso cuidar do cabelo que vai ficar embaixo da peruca, independente do período que for. Então, siga um cronograma capilar para o seu tipo de cabelo e deixe os fios saudáveis, sem nenhuma deficiência de água ou nutrientes”, explica a Dra. Fernanda Nichelle, pós-graduada em Dermatologia Estética Avançada.

O ideal é que a lace seja usada por no máximo sete dias seguidos, com cola e materiais que não agridam o couro cabeludo.

”O excesso pode ocasionar coceiras e doenças como dermatite seborreica e até mesmo a queda capilar. Aposte em uma boa limpeza, fazendo a lavagem corretamente e, depois, busque o seu tônico preferido e aplique diretamente no couro cabeludo, massageando para ativar a circulação. É muito importante que os fios naturais estejam bem secos antes de colocar a lace, pois o excesso de umidade pode ocasionar esses problemas”, completa a especialista.

Sugestão de produtos

Para quem usa lace wig com muita frequência, é essencial cuidar do couro cabeludo, já que a região fica abafada enquanto o acessório fica na cabeça.

Nossa dica é o Shampoo Clear Hidratação Intensa, que vai limpar a região de forma eficiente e delicada, enquanto mantém os fios hidratados. Para completar, use o Condicionador Clear Hidratação Intensa também.

Para finalizar, a gente sugere o Óleo Finalizador 5 em 1 TRESemmé Blindagem Antifrizz, que vai manter os fios alinhados, hidratados e com frizz controlados.

Lembre-se de que as lace wigs normalmente são feitas com cabelo natural, então os cuidados são os mesmos que você tem com os seus fios.

  • Fonte consultada: Dra. Fernanda Nichelle, pós-graduada em Dermatologia Estética Avançada

Texto por Stefanie Gaspar

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