Bate-papo com Gabi Vasconcellos sobre artes marciais, cabelo curto e feminilidade

Para celebrar o Mês da Mulher, batemos um papo com seis influenciadoras de ATH com diferentes perfis e trajetórias para traçarmos um panorama do que é ser mulher no Brasil. Gabi Vasconcellos é daquelas que desafiam padrões impostos pela sociedade e têm ótimas histórias para compartilhar! Acompanhe

Gabi Vasconcellos é dona de um cabelo pixie cacheado maravilhoso, que desafia os ultrapassados estereótipos de gênero de que a feminilidade só existe nos cabelos longos. Além disso, a influenciadora digital é a rainha dos tatames: ela faz aulas de muay thai, um espaço ainda predominado pelos homens. E é por desconstruir tantos padrões – sem perder a ternura jamais! – que convidamos esta mulher incrível para conversar com a gente hoje. Confira, a seguir, nossa entrevista com Gabi Vasconcellos. 😉

ATH: Essa crença de que ter cabelos longos é ser feminina e cabelos curtos são o oposto disso ainda é, infelizmente, muito recorrente em nossa sociedade. O que você diria pras mulheres que querem cortar os cabelos curtinhos como o seu e têm medo dos comentários negativos e de perder a “feminilidade”?

GV: Parece clichê, mas eu diria para elas se importarem menos com comentários externos e tomarem essa atitude se estiverem realmente certas disso. O processo de autoconhecimento e autoaceitação é fundamental nesse sentido, porque, quando temos uma autoestima consolidada, é mais difícil nos abalarmos com críticas e comentários que só querem nos colocar para baixo.

Em termos práticos, existem algumas dicas para combater essa questão de “cabelo curto não é feminino”, como usar tiaras e lenços, priorizar brincos maiores e apostar em maquiagem – uma vez que o rosto fica bem exposto -, por exemplo.

ATH: Como foi olhar a Gabi de cabelo curto pela primeira vez no espelho?

GV: A primeira vez que tive o corte pixie eu era criança – minha mãe cortou em uma tentativa desesperada de combater os piolhos (risos). Não me lembro como reagi. Na segunda, foi meu “big chop”: do cabelão alisado para o curtinho natural, a transformação mais radical até o momento. Eu estava muito segura do que queria, sabia que era uma “libertação”, então isso teve um peso diferente.

Mas, mesmo assim, causou bastante estranhamento no primeiro momento. Algo do tipo: “Ok, essa menina ficou bem, mas não sou eu”. É normal que a reação imediata seja de estranhamento. Como tudo na vida, a adaptação é necessária.

ATH: Um dos motivos de a gente adorar fios curtinhos é porque são bem práticos e fáceis de cuidar, né? O que mudou na sua rotina capilar depois que passou a tesoura?

GV: Sim! Eu mantenho uma rotina de cuidados com meu cabelo curto – uso bastante os supercondicionadores e máscaras de tratamento rápido. Mas hoje é muito mais rápido para lavar, secar e finalizar. Tenho a flexibilidade de lavar todos os dias se eu quiser e levo muito menos tempo me arrumando de forma geral, principalmente revitalizando no dia seguinte à lavagem.

Também modifiquei um pouco os produtos que uso na finalização. O Óleo em Gel Seda Boom se tornou meu melhor aliado. O produto é, inclusive, maravilhoso para fios curtinhos! E na categoria de cremes de pentear, tenho me dado melhor com aqueles de textura bem leve, como o Creme de Pentear Seda Boom Apaixonadas por Cachos e o Creme de Pentear Love Beauty and Planet Curls Intensify. A textura leve ajuda a não pesar os fios.

Gabi Vasconcellos com cabelos curtos e cacheados
Foto: Reprodução | Instagram @gabivasconcellosv

ATH: Gabi, um tempinho atrás você fez um vídeo contando sobre a sua experiência com muay thai. Você acredita que as academias de artes marciais ainda são dominadas pelo público masculino e que existe preconceito nesse cenário?

GV: Sim! É perceptível que existe uma resistência para que um menino faça dupla com uma menina, por exemplo. Eles tendem a achar não só que somos mais “fracas”, mas que também somos “menos técnicas”. Pode causar muito constrangimento, mas acho que também depende do ambiente que você treina, se é mais ou menos acolhedor.

ATH: Na sua opinião, o que falta para que as mulheres ocupem cada vez mais espaço em ambientes predominantemente masculinos?

GV: É inegável que falta espaço e incentivo, além da representatividade. É muito mais fácil ocupar um lugar predominantemente masculino se olhamos em volta e vemos outras mulheres.

ATH: Qual é a sensação de superar seus próprios limites no muay thai e de que forma isso te empoderou no dia a dia?

GV: É incrível porque muda a percepção sobre nosso próprio corpo e os limites. O empoderamento é em vários sentidos: além da superação, acredito que me tornei uma mulher mais corajosa e destemida, o que impacta em diversos aspectos da minha vida.

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